Era uma tarde calma e fria. Então foi tomada esta decisão. Tomei banho, na água gelada mesmo, e fui. O caminho era desconhecido para mim, nunca havia me tocado daquela pequena ladeira à direita do caminho que eu sempre passava. Nós subimos, devagar, a caminhada era difícil os pés doíam. Eu acho que quem fazia essa caminhada, quando o destino era exatamente o topo, fazia-a como uma espécie de martírio. Essa longa subida era o momento não só de lágrimas, mas de uma reflexão tão profunda quanto o significado da vida. Quanto mais eu andava mais me sentia tonta, minhas pernas iam cansando, meus olhos iam doendo... era estranho, louco e triste. Tudo ao mesmo tempo. Foi quando o portão foi aberto. Vovô foi na frente, ele sabia o caminho. Imagino quantas vezes ele deve ter feito o mesmo caminho de forma solitária, da mesma forma cansada, com as mesmas lágrimas. Ao entrar, logo atrás dele, achei tudo muito diferente do que eu havia imaginado. Era muito mais solitário, mais fechado. Haviam algumas fotos e eu comecei a imaginar qual teriam sido suas histórias e como elas foram parar ali. Chegamos então, no local. Mamãe colocou a mão encima e disse:'Parece um sonho'. Ela começou a chorar, depois foi titia dizendo:'Ah mamãe, você costumava dizer que nós não iríamos ligar para você, mas aqui estamos'. Me perguntei onde estaria vovô, foi quando o vi sentado um pouco atrás, de cabeça baixa. Todos choravam muito, menos eu. Não consegui chorar, em público nunca consigo, era tudo tão irreal. Tão cruel. Lá estava eu, parada na frente do túmulo da minha avó. Aquela pequena construção branca com uma cruz e uma placa:'Descanso eterno da família Ramos Gomes'. Imaginei que mais estaria enterrado ali. Imaginei tantas coisas ao mesmo tempo, coisas a escrever, coisas a pensar. Mas de repente me veio a idéia de que escrever aqui o que eu estava pensando, seria de uma forma ou de outra desmerecer todo o sentimento. Vocês não entederiam, talvez ficasse comovidos mas jamais iriam realmente entender a essência. Não me importaria se vocês já tivessem passado por algo parecido, por mais que fosse, jamais seria igual. Minha outra tia começou a rezar. E todos acompanharam, menos eu e vovô. Eu simplesmente não conseguia dizer nem fazer nada, além de encarar aquela placa. De lembrar como tudo havia acontecido. Lembrar que demoraram 3 dias para que eu finalmente percebesse que toda vez que eu voltasse ao lugar aonde estou. Ela não iria estar mais lá. O Natal não seria mais na casa dela, eu jamais iria comer seus salgadinhos nvoamente. Jamais iria abraçá-la e ouvir o seu:'Minha neta de dois corações'. Eu não iria mais me deitar naquele sofá e assistí-la andar de um lado para o outro, preucupada com a comida. E nem iria me lembrar de chamá-la de 'barata tonta', como eu fazia quando criança. Demoraram três dias para cair a ficha. E agora eu estava ali, parada, inerte, apenas observando a placa, pensando nisto tudo. 'Vamos filha?' 'Tô indo... mãe'
Mas eu queria ficar ali e finalmente chorar e me agarrar àquela construção branca e dizer quanta falta ela fazia, dizer que o melhor presente na minha vida foi o que eu recebi dela no natal. Mas eu voltarei e terei longas conversas e poderei chorar também. Porque dói, dói muito mas eu não sei como externar esta dor.
Falta menos de meia hora para amanhã chegar. E isso é bem estranho, daqui a pouco é amanhã e eu nem dormi ainda. Eu tenho medo do amanhã e do que ele pode me trazer, mas tenho vontade de me jogar. É loucura, mas hoje eu estou dada à elas. O post vai ser bem pequeno porque minha inspiração é pouca e eu estou tentando entender algumas coisas que estão passando na televisão neste momento. Mas, para não ser chata ou irritante vou deixar a letra de uma música que gosto muito.
Dream On - Aerosmith
Every time that I look in the mirror All these lines in my face gettin' clearer The past is gone It went by like dusk to dawn Isn't that the way? Everybody's got their dues in life to pay
I know nobody knows Where it comes and where it goes I know it's everybody's sin You got to lose to know how to win
Half my life's in books' written pages Lived and learned from fools and from sages You know it's true All the things Come back to you
Sing with me Sing for the year Sing for the laughter n' sing for the tear Sing with me If it's just for today Maybe tomorrow the good lord will take you away
Sing with me Sing for the year Sing for the laughter n' sing for the tear Sing with me If it's just for today Maybe tomorrow the good lord will take you away
Dream on, dream on, dream on Dream until your dream comes true Dream on, dream on, dream on And dream until your dream comes true Dream on, dream on, dream on, dream on Dream on, dream on, dream on
Sing with me Sing for the year Sing for the laughter n' sing for the tear Sing with me If it's just for today Maybe tomorrow the good lord will take you away
Sing with me Sing for the year Sing for the laughter n' sing for the tear Sing with me If it's just for today Maybe tomorrow the good lord will take you away
Olá, olá seres místicos que habitam meus dias! Sim sim, hoje eu estou mais animada ,claro ainda um pouco naquela de quem sou eu, se estou me afundando, se estou feliz mas mesmo assim vivendo! Hoje eu fui fazer compras na Av. Monsenhor Tabosa, ê uma dica de onde eu estou, e sim, meu lado material girl aflorou. Mas não por aqueles vestidos chiquéérrimos que a mulher-não-sei-quem-da-novela tá usando e está abalando. E nem por aquelas bolsas pratas que a Suzana Vieira usa. Meu instinto consumista atacou para o lando de um belo par de scarpans (é assim que escreve?), não sei. Mas eles eram lindos, um pouco americanizados quem sabe. Mas lindos! Por que americanizados? Eram lindos sapatos com a estampa de notas de dólar. E, é claro, a preço de banana! Apenas R$ 85,00. Achou caro? Tenta ver quanto custa um Jimmy Choss (novamente, assim que escreve?) e vê se eu não comprei à preço de banana... Ok ok, fora esses lindos sapatos, sim eu tenho uma queda por scarpans, eu entrei em uma loja que sinceramente... sinceramente é a minha cara! Uma loja super customizada que tem estilista próprio. O visual da loja é incrível e ao mesmo tempo clássico, para vocês terem uma idéia aquele paninho do provador não é verde grotescamente horrível. É de veludo roxo com coisas lindas costuradas. As roupas? Nem se fala! Apenas uma ou duas peças do mesmo estilo, estampas e tecidos variados e combinados da forma que só uma pessoa criativa poderia combinar. Posso dizer que simplesmente amei? E é claro, não poderia sair sem uma peça. Comprei um vestido cujo nome nem sei, mas que ficou lindo e mim e com certeza era a minha cara. Saí dessa loja querendo mais e mais, e o preço do vestido? Outro preço de banana! Afinal, venhamos e covenhamos que lojas assim geralmente são super caras mas o meu vestidinho saiu por R$ 130,00, à vista. Pois é, hoje foi um dia em que minha personalidade 'material girl' veio à tona. Prestem bastante atenção, pois momentos como estes são raros. Uma certeza eu tenho, quando retornar à Av. Monsenhor Tabosa, com certeza irei novamente nesta loja e com certeza comprarei algo novo. Só uma coisinha: Eu iria colocar o site da loja aqui, mas no momento estou no quarto do meu primo e minha preguicite aguda em estado terminal me impede de ir pegar a sacola e ver o site, mas da próxima vez eu coloco ele aqui e até quem sabe uma foto minha com o meu vestido chiquéérrimo. Bom... de compras só tive isso, mas já me sinto bastante satisfeita. Amanhã eu vou em uma feira de artesanato e todo mundo está cansado de saber que eu sou louca por artesanato... então, quem sabe a material girl dentro de mim retorne. Boa noite a todos e amanhã eu falo mais sobre minha viagem e sobre os posts que eu pensei colocar aqui.
Hoje eu passei o dia em um estado que oscilava entre o melancólico e o sonolento. Mas afinal o que é o sonolento senão um melancólico cansado? Para variar, fui acordada. O que me rendeu uma sonolência e irritação pelo resto do dia. Hoje não está parecendo domingo, e toda vez que eu penso nisso me atrapalho. Pela primeira vez em tempos eu estou parando para me perguntar como eu estou realmente. Feliz? Triste? É difícil dizer, estou em um estado em que nada parece tão lindo e nem tão triste. Estou normal e com medo. Medo de me afundar, medo de ficar feliz demais. Eu não quero voltar ao estado decadente de meses atrás, anos atrás. Mas também não quero pular de alegria, pois tenho mais medo ainda do que vem depois. Outro dia em me olhei no espelho, fiquei encarando aquele ser que por um instante eu não sabia quem era. Sim, eu tenho essa manina de olhar para pessoas e me perguntar por alguns segundos quem elas são. E assim eu fiz ao me olhar no espelho, assim eu faço ao andar na rua. É o que me pergunto quase diariamente. Quem sou eu? Claro, eu sei quem é meu nome, onde moro e todas essas especificidades da vida. Mas me falta saber da minha essência, este elo perdido entre coisas e pessoas. Eu não sei se sou uma pessoa alegre ou uma suicida em potencial, simplesmente não sei. Eu sou uma estranha de mim mesma e o que me resta é escrever de vazio. E eu continuava a me olhar, olhava em meus olhos, tentava descobrir o que eles diziam. Olhava minha pele, meus lábios. Tentava juntar tudo aquilo e finalmente cair na realidade de que eu sou eu por mais que eu não saiba quem é aquela moça do espelho. Por mais que eu não entenda as coisas que passam pela cabeça dela ou porque ela toma as atitudes que tomam. Eu e ela somos uma só, mas a moça do espelho é estranha a mim. Estou ficando mais cansada e sonolenta novamente. Amanhã espero não ser acordada e espero reconhecer a moça do espelho. Pelo menos uma vez.